Eu Próprio Sou a Boa Sorte
John Garrigues

Por que será que o “estreito e antigo caminho, que aponta para longas distâncias” parece ser, tantas vezes,
um caminho de sofrimento? Será que enquanto caminhamos não podemos ter com mais intensidade aquele
contentamento sentido pelo viajante aventureiro que avança pelo seu caminho, libertado de toda posse ou
propriedade?

Ou será que caminhamos sobrecarregados, arrastando conosco coisas desnecessárias? Nós já tivemos o
cuidado de fazer uma seleção cuidadosa daquilo que necessitamos durante a viagem, e de eliminar o peso
inútil?

“Poucos avançam pelo caminho sem reclamar”. Quando olhamos o peso que é levado pela maioria de nós, percebemos que estamos causando as nossas próprias dificuldades, porque procuramos o que é imortal enquanto nos apegamos ao que é passageiro e transitório. Isso é tão impossível como estar ao mesmo tempo cheio de medo e cheio de coragem; ou como olhar para o eterno do ponto de vista do que é passageiro.

Nós pensamos que a serenidade está no final do caminho e que ela é uma meta. Na verdade ela está apenas um passo à nossa frente.

Para aquele que viaja com um coração cheio de problemas, há algo de doloroso na glória do pôr-do-sol.
O bosque escuro que o vento movimenta acima dele reforça e prolonga os seus suspiros; não há paz no
movimento das folhas. Mas quando alguém conhece a felicidade interior do coração, todas as coisas
contribuem para a caminhada. Poderíamos aproveitar o pensamento de um Viajante sábio e dizer:

“A partir de agora eu não peço mais por boa sorte. Eu próprio sou a boa sorte!”

As velhas recompensas já não são oferecidas. A busca das novas recompensas torna necessária uma luta
muito maior. Apesar disso, podemos lembrar que a felicidade de estar a caminho é sempre nossa - se a
aceitarmos.

É nosso o contentamento de saber que caminhamos para a frente, de perceber que somos parte essencial
do glorioso esquema da evolução do universo, e que fazemos parte do Caminho, da Verdade e da Luz.
[Do texto “O Caminho, a Verdade e a Luz”, de John Garrigues, disponível em www.FilosofiaEsoterica.com




Ideias que Ajudam a Viver em Paz
Aqui estão alguns bons axiomas para colocar em prática:
* “Nunca peça a outro que faça por você aquilo que você pode fazer por si mesmo”.
* “Saiba onde estão suas coisas e pegue-as você mesmo, quando as necessitar”.
* “Faça pelos outros tudo o que puder, de um modo agradável; mas não espere que os outros façam algo por você”.
* “Você é valioso apenas quando é útil; não quando pede ajuda.”
Estes pontos serão reconhecidos como úteis, se forem colocados em prática.
[Do texto “A Vida do Discípulo”, de Robert Crosbie, disponível no website www.FilosofiaEsoterica.com





O Amor à Vida
Erich Fromm

O oposto da orientação necrófila é a orientação biófila. A sua essência é o amor à vida, em contraste com o amor pela morte.
Como a necrofilia, a biofilia não é constituída por um único traço, mas representa uma orientação total, todo um modo de vida. Ela se manifesta nos processos corporais da pessoa, em suas emoções, em seus pensamentos e em seus gestos.
A orientação biófila se expressa em todo o ser humano. A forma mais elementar desta orientação se expressa na tendência que todos os organismos vivos têm de viver. Ao contrário da ideia de Freud em relação a um “instinto de morte”, eu concordo com a conclusão - a que chegaram muitos biólogos e filósofos - de que viver e preservar a sua existência é uma qualidade inerente a toda substância viva. Nas palavras de Spinoza:
“Toda coisa, na medida em que existe em si, esforça-se por perseverar no seu ser.” [1] E ele disse que este esforço era a própria essência da coisa em questão. [2]
Observamos esta tendência de viver em todas as substâncias vivas que nos rodeiam; na grama que irrompe entre as pedras para obter luz e viver; no animal que luta até o final para escapar da morte; e no homem, que faz quase qualquer coisa para preservar sua vida.
A tendência a preservar a vida e a lutar contra a morte é a forma mais elementar da orientação biófila, e é comum a toda substância viva. Enquanto é uma tendência de preservar a vida e de lutar contra a morte, a biofilia representa só um aspecto do impulso em direção à vida. O outro aspecto é mais positivo: a substância viva tem a tendência de se integrar e de se unir. Ela tende a se fundir com entidades diferentes e opostas, e a crescer de uma maneira estrutural. A unificação e o crescimento integrado são características de todos os processos vitais; não só no que se refere às células, mas também no que diz respeito ao sentimento, e ao pensamento.
A expressão mais elementar desta tendência é a fusão entre células e organismos, desde a fusão não-sexual de células até a união sexual entre os animais e entre os seres humanos. Nestes últimos, a união sexual é baseada na atração entre os pólos masculino e feminino. A polaridade macho-fêmea constitui o centro da necessidade de fusão, da qual depende a vida da espécie humana. Parece que por esta mesma razão a natureza deu aos seres humanos o mais intenso prazer na fusão dos dois pólos. Biologicamente, o resultado desta fusão é, normalmente, a criação de um novo ser.
(.....) O desenvolvimento completo da biofilia é encontrado na orientação produtiva. [3] O indivíduo que ama completamente a vida é atraído pelo processo da vida e do crescimento em todas as esferas. Ele prefere construir, ao invés de reter. Ele é capaz de surpreender-se, e prefere ver algo novo, ao invés da segurança de confirmar o que é velho. Ele ama a aventura de viver, mais do que ama a certeza. Seu enfoque da vida é funcional, ao invés de mecânico. Ele vê o todo, e não apenas as partes. Percebe as estruturas, mais do que a soma aritmética. Ele quer moldar e influenciar através do amor, da razão, e do seu exemplo, e não pela força, pela separação, ou pela maneira burocrática de administrar pessoas como se fossem coisas. Ele aprecia a vida em todas as suas manifestações, ao invés de ter, apenas, ansiedade.
A ética biófila tem os seus próprios princípios sobre bem e mal. Bom é tudo o que serve à vida. Mau é o que serve à morte. Bom é o sentimento de reverência pela vida [4], e por tudo o que aumenta a vida, o crescimento, o desenvolvimento. Mau é tudo o que enrijece a vida, que a torna estreita, ou que a corta em pedaços. A alegria é virtuosa. A tristeza é um pecado.
(.....)
A consciência biófila é motivada por sua atração pela vida e pela felicidade. O esforço moral consiste em fortalecer o amor à vida em si mesmo. Por esta razão, o biófilo não se demora com remorsos e culpa, que são, afinal, apenas repugnância por si mesmo e tristeza. Ele se volta rapidamente para a vida, e tenta fazer o bem. A “Ética” de Spinoza [5] é um exemplo notável de moralidade biófila. “O prazer”, diz ele, “em si mesmo, não é mau, mas bom; ao contrário, a dor, em si mesma, é má.” [6]
E, seguindo na mesma linha de pensamento:
“A última coisa em que pensa um homem livre é na morte; e a sua sabedoria é uma meditação, não sobre a morte, mas sobre a vida” [7].
O amor à vida está na base das várias versões da filosofia humanística. Em suas formas conceituais bastante diversas, estas filosofias têm afinidade com a filosofia de Spinoza.
Elas expressam o princípio de que o ser humano saudável ama a vida; de que a tristeza é um pecado e o contentamento uma virtude; de que a meta do ser humano é estar em unidade com tudo o que vive, e separar-se de tudo o que é morto e mecânico.

NOTAS:
[1] “Ética”, III, proposição VI. (Nota de Erich Fromm)
[2] “Ética”, III, proposição VII. (Nota de Erich Fromm)
[3] Veja a discussão da orientação produtiva na obra “Man for Himself”, de E. Fromm (New York: Holt, Rinehartand Winston, 1947). (Nota de Erich Fromm)
[4] Esta é uma das principais teses de Albert Schweitzer, um dos grandes representantes do amor à vida - tanto por seus escritos como por sua pessoa. (Nota de Erich Fromm)
[5] Cabe registrar que Spinoza é um filósofo considerado muito próximo da filosofia teosófica original. (Nota do Tradutor)
[6] “Ética”, IV, proposição XLI. (Nota de Erich Fromm)
[7] “Ética”, IV, proposição LXVII. (Nota de Erich Fromm) [Do texto “Carl Jung, a Ética e a Psicologia”, de Erich Fromm, disponível em www.FilosofiaEsoterica.com

As Relações Entre Céu e Terra

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O Todo está contido em cada uma das suas partes. Céu e Terra interagem profundamente.
Os extremos se tocam. O caminho do meio integra os extremos e os equilibra, e por isso perdura.
Toda vida é cíclica e evolui através de transmutações. Assim como o chumbo do alquimista se torna ouro,
a semente do agricultor germina no plano físico para que a vida assuma novas formas e possa buscar a luz
infinita do Sol amarelo.
No entanto, recomenda-se ter olhos para ver, pois o ouro também se transforma em chumbo e nem tudo o que reluz é ouro. Ou, na imagem simbólica do plantio, o joio e o trigo fazem parte do processo. Nem tudo que é pequeno é semente, e nem toda semente é boa. A plena atenção é uma chave-mestra e o discernimento, inseparável do desapego, é fundamental em cada aspecto e etapa da caminhada.

[Do texto “Qualidade ou Quantidade?”, de Carlos Cardoso Aveline,
disponível em www.FilosofiaEsoterica.com

Notas Sobre Algo Difícil de Descrever:
A Experiência Direta do Sagrado

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



A busca da sabedoria é uma coisa, e a busca do sagrado é outra.

A sabedoria está implícita na percepção do sagrado. A percepção do sagrado está implícita na sabedoria.
Ainda assim, são duas coisas diferentes. É mais fácil falar da sabedoria.

Se experimentamos diretamente o que é divino, podemos sentir que dizer qualquer coisa a respeito, mesmo para nós mesmos e apenas em pensamento, é como uma tradução automática do Google que distorce o significado original e fragmenta cada frase apresentando-a em pedaços desconectados.

É desta maneira que os reais segredos são mantidos. Eles pertencem a seus próprios níveis de consciência
e não podem ser transportados ou traduzidos para dimensões mais grosseiras. Seria o mesmo que pretender fritar neve, ou prender ar puro em um quarto pequeno com portas e janelas fechadas. Há uma diferença entre
ver o nascer do sol e olhar para uma foto de um sol nascendo.

Além disso, a busca da experiência sagrada é uma coisa, e a maneira como a experiência direta do sagrado vem até o buscador é outra coisa. Há energias que sobem, e energias que descem.

Quando a experiência do sagrado vem até alguém, ela responde ao bom carma da busca realizada, e usa a energia criada pelo esforço na direção do mais alto; mas a usa de uma maneira inesperada e transcendente.

O sentimento do sagrado e do divino sugere para cada buscador algo que lhe é familiar. Trata-se de um sentimento íntimo. Ele ocorre no nível mais interno e verdadeiro do “eu”. A pessoa em seguida sabe que não poderia explicar esta experiência para mais ninguém. Ao mesmo tempo, a experiência do sagrado traz consigo mudanças e potencialidades que fluirão de modo natural desde o interior da sua própria alma.

O convívio com o sagrado dá a você um sentido de paz e de força. Desperta-lhe uma humildade, uma satisfação de ser pequeno. A humildade é irmã da sabedoria eterna e faz com que tenhamos um sentido ilimitado de tempo.

A humildade no caminho espiritual decorre do fato de que nosso contato consciente com o infinito depende de uma certa renúncia. O eu inferior só pode perceber sem intermediários as dimensões sagradas da vida quando transcende os acontecimentos de curto prazo e expande sua visão da evolução da alma de modo a reconhecê-la como um processo de milhões de anos.

O estudo do céu desde um ponto de vista teosófico possibilita esta expansão. A infinitude ocorre no espaço, assim como ocorre no tempo. Os ensinamentos da teosofia original preparam os estudantes para a compreensão da Lei eterna e os capacitam a deixar de lado a ilusão.

A observação da vida como um processo de milhões de anos desenvolve o auto-esquecimento e a simplicidade pessoal, sentimentos que frequentemente se manifestam como devoção. Deste modo alcançamos um sentido de liberdade ilimitada, e o medo e a ansiedade tendem a desaparecer. Mas há sempre ilusões a evitae.

O Sagrado, o Sacrifício e a Alma

Uma vez que decidimos viver na presença interior do que é sagrado, nossa ingenuidade pode levar-nos a pensar que temos direito a um pouco de conforto e estabilidade ao nosso redor.

No entanto, o fato de que alguém está tentando viver na presença interior do sagrado é mais do que suficiente para provocar uma espécie de “febre” no processo não só do seu carma individual, mas também no seu carma familiar, no carma do seu casamento, de suas relações pessoais, e em vários níveis de carma coletivo ao qual ele pertence. Até o carma de um país é afetado se há uma nova luz buddhi-manásica cuja chama arde de modo sustentável.

É por isso que o caminho da sabedoria é descrito como desconfortável. Qualquer caminho muito cômodo, caso seja descrito como “espiritual”, é falso e consiste em uma armadilha.

Aquele que busca pela sabedoria pode ser capaz de dar alguma paz aos outros, mas não é necessariamente provável que tenha paz para si mesmo, exceto no plano interno. E isso é suficiente, quando a alma tem a experiência necessária.

Em todas as situações, as expectativas pessoais levam à derrota, enquanto o cumprimento impessoal do dever produz a bênção da vitória interior.

Os que buscam a felicidade exclusivamente em coisas exteriores estão equivocados, assim como os que a buscam no mundo interior. O sagrado e a bem-aventurança não podem ser encontrado exclusivamente “dentro” ou exclusivamente “fora” de si mesmo.

A experiência do que é divino resulta de um tipo específico de interação entre o “interno” e o “externo” que acaba por dissolver o sentido de separação entre as duas coisas.
(Carlos Cardoso Aveline)

Uma Conversa Interior

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O escritor Jorge Luis Borges afirmou: “Que outros se jactem das páginas que escreveram: a mim me orgulham as páginas que tenho lido.”

De fato, o ato de ler - embora na aparência simples - é uma experiência potencialmente mágica. Os bons livros podem ser amigos tão fiéis quanto nossos cachorros, embora mais sábios, e mais silenciosos. Os livros inspiram, aconselham e protegem. Sua leitura é uma forma de conversa interior. Nas suas páginas é possível trocar ideias com pensadores de países distantes.

Uma biblioteca funciona, entre outras coisas, como uma máquina do tempo. Ela nos possibilita viajar além do mundo convencional, e nos coloca em contato com o pensamento e a presença sutil de sábios de outras épocas. Isso nos ajuda a viver mais profundamente o dia de hoje e a construir um melhor dia de amanhã. Lin Yutang escreveu:

“O homem que não tem o costume de ler está aprisionado num mundo imediato, em relação ao tempo e espaço. Sua vida cai numa rotina fixa (...). Mas quando toma em suas mãos um livro, penetra em um mundo diferente e, se o livro é bom, vê-se imediatamente em contato com um dos melhores conversadores do mundo. Esse conversador o transporta a um país diferente, ou a uma época diferente, ou lhe confia alguns dos seus pesares pessoais, ou discute com ele (...) um aspecto da vida de que o leitor nada sabe.”

Reproduzido da obra “Conversas na Biblioteca”, de Carlos Cardoso Aveline, Edifurb, 2007, Introdução, pp. 9-10

A Psicologia da Filosofia Esotérica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Não podemos avançar pelo caminho da sabedoria exceto pela observação dos mecanismos da ignorância na vida diária. Mas a observação deve ser feita desde o ponto de vista da filosofia teosófica impessoal, e da Lei do Universo.

A busca da sabedoria não nos leva diretamente da ignorância para a felicidade. Ela nos conduz da ignorância subconsciente para a ignorância consciente, e só então abre o caminho para a sabedoria e a libertação.

Devemos observar em calma os mecanismos do sofrimento, até compreendê-los bem. Quando isso ocorre, nós os transcendemos em paz, finalmente, e toda dor desnecessária desaparece.

O Silêncio que Reúne Todos os Sons

 

 

 

 


Ao longo do caminho da sabedoria, cada experiência pessoal deve ser submetida a um exame calmo e rigoroso.
O conhecimento teosófico leva a uma justiça imparcial e não tem apego ou rejeição.
O “aqui” contém o universo inteiro. O tempo eterno está presente no “agora”.
O silêncio reúne em si a potencialidade de todos os sons, assim como o branco é a soma das sete cores.

O Teosofista
Notas e Informações Sobre Teosofia e o Movimento Esotérico
Ano VII, Número 78, Novembro de 2013. O Teosofista é o boletim
eletrônico mensal do website www.FilosofiaEsoterica.com. Editor geral:
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