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Endireitar os caminhos da existência, regenera os teus impulsos. Desfaça as sombras que te rodeiam e senti-lo-ás, ao teu lado, com a sua bênção. Os elementos simbólicos do Caminho, que “O símbolo não se impõe, mas se manifesta a quem sabe ler e decifrar seu significado”

Todos nós já nos encontramos, ao menos alguma vez em nossas vidas, em situações em que nos sentimos em "becos sem saída". Mas, após algum tempo, acabamos de alguma forma encontrando uma saída, seja por uma intervenção do alto, seja pelo tempo que passa e desanuvia o nosso panorama
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)

No Meio do Caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra

Na realidade o que faz deste poema o grande desafio é a afirmação de que havia uma pedra no meio do caminho; uma afirmação simples e direta que grava uma imagem para sempre indelével, e que a repetição do verso ao longo do poema torna mais firme e intensa.

Não mais sairá do nosso imaginário, pessoal e coletivo Leio ou repito em voz alta (tão fácil de fixar) e não é pelo ritmo, pela repetição que o poema intriga, mais do que comove. Igual a um poema chinês, ou a um Haiku japonês, é a condensação da imagem, pedra e caminho, ou ainda o meio do caminho que tinha uma pedra, e aqui entra nova imagem, a que corta o caminho ao meio, quando devia estar (esperava-se) livre e desimpedido.

O meio do caminho: o meio da vida;
a pedra no caminho: o desgosto ou a contrariedade inesperada, que fez (ou não) impedir a continuação do caminho. Esta suspensão do destino do caminhante aumenta o mistério do que é dito: viu a pedra e seguiu adiante? Tropeçou na pedra, caiu e levantou-se? Ou ficou demorando magoado no chão?

Tal como nos ditos orientais a resposta não é dada, tem de ser encontrada por cada um, precisamente no seu caminho de leitura....a pedra, para nós, é o próprio poema, a interpelar a nossa vida.

Aqui entra a imagem forte do inconsciente coletivo (diria Jung):
Todos, ao longo da vida, e segundo Jung em especial "no meio" da vida tivemos, temos, teremos "uma pedra no caminho", uma crise que poderemos ou não ultrapassar.

Drummond já mais velho e sábio (de "retinas fatigadas") evoca essa pedra que teve no caminho.
Ultrapassou, pois escreve o poema, mas não esquece. Com as suas palavras condensadas em tão breves
imagens abre o coração ao mundo, forçando o mundo a que faça como ele: revivendo o caminho, fixando a
pedra que lá estava no meio, procurar entender o destino. Pois é disso que trata a pedra, desde sempre
(e poderia então falar da tradição alquímica...). Do entendimento do ser : o ser no espaço da vida, do seu
caminho, mas mais ainda no tempo de encontrar o seu caminho.

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